Israel Shamir

Ideas that will Derail the descent to Barbarity

Você é demais, lobby!

Os vizinhos duma mesma casa brigam constantemente: os noivos já se devolveram as alianças de compromisso, as empregadas domésticas estão reclamando seu dinheiro, o cozinheiro já não vem mais, etc. No méio da batalha se apresenta um tal de Jeeves, serviçal e confidente, um rapaz esperto (interpretado por Stephen Fryes na série da BBC), quem consegue pacificar o ambiente ao lhes apresentar o enemigo de todos, um tal de Wooster, cabecinha-de-vento.  Unidos de súbito na sua animosidade, os apaixonados já se deslizam rumo a um cantinho escuro, e os serviçáis amansados fecham fileiras com seus amos. Este ardide elegante, descrito há tempo no Right Ho, Jeeves, obra cómica de P.G. Wodehouse, acaba de ser implementada com grande êxito por essa força impalpável às vezes chamada lobby sionista.

Numa carta dirigida ao editor doTimes(http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/letters/article2599269.ece), os adversários de ontem, hoje reúnem-se, como amigos-do-peito num romance de Wodehouse, por tras de certas orientações que pareceriam ditadas por um invisível Jeeves, hábil na arte de convencer.  Nossos vizinhos antes jogaram às favas importantes princípios, e agora não se sentem muito a vontade uns com os outros, mas…

Vejamos o elenco (a lista completa figura ao final):

O arcebispo e Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, enemigo do apartheid, amigo da Palestina. Semana passada a comunidade judia da universidade de St. Thomas em Minnesota conseguiu que o expulsássem.

O flamígero sionista Bernard-Henri Lévy, apelidado “Mr. Lobby”, cabeludo herdeiro da fortuna dum escravista.  Geralmente xinga os negros, franceses e palestinos, em suas freqüêntes aparições televisivas.  Quando levaram a julgamento seu amigo Alain Finkielkraut por suas declarações racistas demasiado explícitas, “Mr. Lobby” saiu em sua defesa.

Mairead Maguire, irlandês arrojado na defesa da Palestina, solidário com o nosso preso político, Mordechai Vanunu.

A arqui-sionista russa Elena Bonner, apaixonadamente anti-muçulmana, anti-comunista e neo-liberal reaganiana.  Combateu o “imperio do mal”, sendo a favor dos direitos dos judéus russos de emigrarem a Israel e se apoderarem das casas dos refugiados palestinos.

O grande escritor e Premio Nobel inglês Harold Pinter, que falou tão apaixonadamente contra a Guerra do Iraque.

Zbigniew Brzezinski, que presenteou o mundo com a  guerra do Afeganistão, com seus milhões de refugiados, e se gaba da sua responsabilidade. (1) Anti-comunista e odiador da Rússia, conseguiu provocar a intervenção soviética de 1980, e guiou os passos de Osama Bin Laden.

A nossa valente atriz Vanessa Redgrave, quem combateu e sofreu tantos ataques por parte do Lobby.

Um sionista francês brioso, André Glucksmann, membro da esquerda liberal anti-comunista, que defende os separatistas chechênos e é partidário da guerra.

O enemigo declarado de Pinochet, Ariel Dorfman.

O maior admirador de Pinochet, Vladimir Bukovsky.

Qual será o poder que pôde cozinhar esse “caldo” inverossímil, essa coleção que junta maus e bons com horrêndos? Quê será essa ONG anónima que acaba de nascer com o nome de “RAW in WAR” (Rápidos na Guerra)? Sua intenção explícita é a de reconhecer as mulheres que defendem os direitos humanos em zonas de guerra e conflito, um objetivo encomiável; caso a gente quisesse lhe negar a nossa assinatura a tão recomendável projeto, ganharia o descrêdito total.  Além disso, a gente poderia esperar que a Rachel Corrie, aquela garota de Seattle que fora assassinada pelos israelenses, seja uma das primeiras heroínas reconhecidas nesse contexto. Rachel Corrie morreu defendendo uma moradia palestina da destruição.  Colocou-se na frente da casa dum desconhecido, acreditando de todo coração que quem guiara a retro-escavadeira Carterpillar não seria capaz de destruir sua vida na tentativa de deixar na rua mais uma família palestina. Mas não era um homem quem dirigia  o mônstro, era um supremacista judéu que acreditava, e ainda continúa acreditando, que basta aos judéus quererem algo para que isso se converta em direito. As cortes israelenses confirmaram-lhe isto, e o lobby judéu conseguiu que se proibisse uma peça teatral baseada na sua história (http://www.variety.com/article/VR1117956295.html?categoryid=19&cs=1), acrescentando que “tinha procurado por aquilo essa tal anti-semita”.

Ora, por acaso foi a Rachel Corrie uma das primeiras “reconhecidas” por tal augusta agrupação? Essa ONG  se criou para celebrar gente como a jornalista russa Anna Politkóvskaya. Ela foi morta por desconhecidos, ano passado, e desde aquele dia a maquinária sionista neo-conservadora está tentando sujar às autoridades russas, excessivamente independentes, com isso.  Seu nome, junto ao do ex-espião russo Litvinenko, quem fora envenenado com polonium, tornou-se um grito de guerra das forças neo-liberáis e hostis  a Putin. Até conseguiram convencer que a viúva de Litvinenko acrescenta-se sua assinatura à lista, simplesmente para que todos lembrem que da Rússia se trata. Lógicamente, também incluiram a viúva de Daniel Pearl, para que tivesse um toque anti-islámico, e ao combatente do Ghetto de Varsóvia Marek Edelman para ter algúm representante do anti-nazismo.

Cómo é possível que a pesquisadora búlgara, totalmente desconhecida (oficialmente presidenta da RAW in WAR) conseguisse fazer contato com tantas damas e cavalheiros, arcebispos e barões, prémios Nobel, escritores e representantes do que for que seja, para compor sua lista incrível? Terá mais poder do que Berezovsky e Nevzlin juntos? Esses dois oligarcas russos multi-milhonários, exilados, são os que mantém viva a lembrança da história de Litvinenko e Politkóvskaya há um ano, e nunca tinham conseguido suscitar uma paixão semelhante. As únicas manifestações mediáticas dedicadas à memória de Anna Politkóvskaya foram as organizadas pelas tropas-de- choque da Nova Ordem Mundial, ou seja,  o National Endowment for Democracy (NED), organização financiada pelo governo dos Estados Unidos e “criada para continuar as atividades proibidas da CIA no que se refere ao apóio de determinados partidos políticos no exterior”. (Veja-se: http://en.wikipedia.org/wiki/CIA).  A lista da nova ONG continúa expandindo essas táticas de pressão contra a Rússia. Está claro que essa lista de valerosas mulheres fói cooptada para mudar a face de velhas criações. O objetivo é pressionar o presidente russo que nega-se rotundamente a dar luz verde ao bombardéio contra o Irã, planejado por Israel e os Estados Unidos; (Irã cobre a Siria com seu sistema de defesa aérea), e deu-lhes uma boa freada aos oligarcas na sua tentativa de saquearem a Rússia. Não estou tentando macular a memória duma jornalista assassinada, nem há por que faze-lo. Usar a lógica será suficiente para explicar o truque: Anna Politóvskaya nunca significou perigo algum para o regime de Putin, porque era totalmente desconhecida do público;  protanto, a idéia de Putin ter encomendado sua morte sóa melodramático e um tanto forçado. E, quem, exatamente, acusa o presidente russo? Não é a polícia, já que a investigação a respeito do crime segue seu próprio caminho, e ao que parece ela (Politkóvskaya) indagava a respeito de algumas personalidades da insurgéncia chechêna, ou da contra-insurgéncia. A guerra da Chechênia ainda era um assunto candente há um ano atrás, e hoje ainda continúam presos em Moscóu uns dez chechênos e um coronel traidor das forças de segurança, por possível implicação no crime. O fiscal geral da Rússia declarou há pouco que o mistério do assassinato já estava quase resolvido. O filho de Anna Politkóvskaya tem depositado sua plena confiança nos esforços da polícia, pois confia que os assassinos e os que encomendaram o crime serão achados logo. Muitos observadores russos acreditam que o assassinato foi ordenado por gente que procura ao mesmo tempo debilitar a sociedade russa e mirar na cabeça do próprio Putin. Eu tenho me manifestado no mesmo sentido (Veja-se “¿Quem enganou  Roger Rabbitt? http://www.israelshamir.net/Spanish/Sp33.htm  ). Essa técnica lembra os relatórios que tem-se recebido do Líbano, onde certos ativistas anti-sírios foram assassinados por matadores pro-israelenses com o objetivo de desencadearem uma violência “sectária”

(véasehttp://www.haaretz.com/hasen/spages/909946.html).

O governo e o povo russo condenaram ao uníssono o assassinato de Anna Politkóvskaya. A polícia está no encalço dos assassinos, e a família está satisfeita com o avanço do processo. Mais o quê pode-se pedir, então?  Nada, a não ser que você pertença ao bando dos neo-conservadores, e queira achar nisto, a qualquer custo, uma relação com o Putin. Os neo-conservadores usam seu cadáver para socavar a Rússia. Em contra do desejo da família, e contra os interesses do povo russo, seu nome tem se convertido  em sésamo no intuito de abrirem a economia russa aos abutres neo-liberáis, que estão à  espreita nas próprias fronteiras da Rússia. E a carta ao Times dança a música composta pela banda neocon.

Ninguém pode culpar os assinantes da carta ao Times pelo que escreveram. Escreveram com muito cuidado: “Fazemos um chamado ao governo russo para que leve perante os tribunáis, em plena conformidade com as regras internacionáis, tanto os que mataram Anna Politkóvskaya como os mandantes do seu assassinato”.  É impossível nos negarmos a assinar semelhante carta, porque, não é desejo de todos que os assassinos sejam presos? Então, qual pode ser o objetivo dessa carta? Como quer que seja, demonstra que os sionistas podem movilizar até aos anti-sionistas declarados e aos militantes contra a guerra, se o assunto for contra a Rússia.  Extranhos camaradas, sem dúvidas, pois estão unidos, não contra aquela América que quer nos meter de cabeça na guerra, e sim contra a pacífica Rússia.

Todas essas manobras me lembram o caso Wallenberg.  Raúl Wallenberg, um diplomático sueco da Alemania nazista, salvou muitos judéus proporcionando-lhes um passaporte e uma visa para a Suécia.  Em 1945 foi detido pela segurança soviética em Budapest como espião, e morreu estando preso em 1947.  Porém, ainda não deixaram ele descansar em paz: os sionistas inventaram um continho-de-fadas, segundo o qual sobreviveu e ainda está detido nalguma prisão secreta na Rússia. Transformaram aquele homem distinto em algo ridículo.  Transcurridos os anos, desde o final da Segunda Guerra Mundial até o colapso da União Soviética, tem organizado milhares de marchas – desde Washington até Wellington- solicitando “libertem Wallenberg”.  Muitos ocidentáis de renome participaram dessas demonstrações, e cada inocente ludibriado jogou seu cuspe na URSS, trabalhando sem querer, às vezes, para a hegemonia judeo-americana no presente mundo uni-polar. Somente depóis de 1991 fói que os sionistas deixaram a família Wallenberg em paz, porque já não podiam seguir negando sua morte, acaecida em 1947.

Podem estar certos de que os sionistas estão se lixando pelos diplomáticos suecos que salvaram judéus. Há um outro diplomático sueco na Alemanha que salvou judéus; o conde Folke Bernadotte. Bernadotte foi enviado pela ONU como seu representante na Palestina em 1948, exatamente por esse motivo: porque tinha salvo muitíssimos judéus, e sentia  uma forte simpatia pelos refugiados judéus.  Mas, também testemunhou a expulssão massiva dos palestinos (a Nakba, “a catástrofe”, dos palestinos) e pediu que Israel deixasse os refugiados palestinos voltarem  às suas casas e aldéias. Esse homem distinto, de conciência reta foi imediatamente assassinado por quem chegara a ser primeiro-ministro israelense (Menahem Begin). Assim são os fatos. O nome de Wallenberg se esgrime em muitas cidades ao redor do mundo, enquanto ninguém lembra o de Bernardotte.  Héis aqui o poder do lobby judéu: eles podem decidir que nomes chegarão a ser conhecidos e quáis deverão cair no esquecimento, a quem convém bendezir e quem são os malditos.

Mas isso não é nenhum milagre: tem instrumentado o verdadeiro poder que está por tras das democracias: a maquinária multi-direcional da mídia e das relações públicas.  A URSS não dança o mesmo compás, em primeiro lugar porque a mídia da Rússia está fora do alcance ocidental; e por esse motivo deve ser destruida.  Agora estão utilizando uma multitude de organizações de direitos humanos e causas humanitárias, com tal intuito.  A senhora Elena Bonner (viúva do dissidente e Prémio Nobel André Sakharov) e outras da sua índole, pediram o direito ao retorno dos judéus russos, pelo mesmo direito com que se nega o retorno aos palestinos.  Na verdade, não deveríamos esquecer que estes dois grupos não são equivalentes: os palestinos foram expulsos das suas casas em nosso tempo, enquanto que, no caso dos judéus russos, declararam súbitamente que eram os mesmos hebréus de há dois mil anos.  Se organizaram milhares de marchas mundo afora, encabeçadas por ocidentáis famosos; quem sabe, até você, leitor?, pedindo o direito para os judéus, e cantando “Let My People Go” (retomando o famoso “Spiritual”, que fora o hino da resiténcia negra contra a escravidão nos Estados Unidos). Porém, não houve nenhuma marcha exigindo o direito dos palestinos a regressarem à suas próprias casas. Era o que faltava! E se houve, não teve a mínima repercussão na mídia, e os que tenham participado dela, estão no ostracismo desde então.

Os defensores dos dissidentes entoaram proclamas deplorando a falta de direitos humanos na URSS até que o navio afundou, e então entregaram os pertences do povo soviético aos oligarcas.  Ao que parece, Boris Yeltsin, cuidou dos direitos humanos durante a grande etapa  das privatizações, já que ninguém voltou a falar neles.  Porém, quando Putin começou a se sobressair, para recuperar parte do patrimônio que tinha sido logrado ao povo, de súbito voltaram às manchetes os bem-aventurados direitos humanos.

Seríamos muito ingénuos se aceitássemos o mântra dos direitos humanos como moeda duma só face. Sinto muita pena do Raúl Wallenberg e da Anna Politkóvskaya; mas, assim mesmo me dóem os casos de Folke Bernadotte e Rachel Corrie, e eu não colocaria meu nome num abaixo-assinado pelos primeiros, se não fossem levados em conta os segundos.  Não sendo assim, seria uma armadilha para gente bem-intencionada, que poria o rôsto para outros baterem, e por motivos que acharia repugnantes se se apercebesse  disto. Enquanto isso, põem a boca no trombone pelas violações aos direitos humanos em Cuba, Rússia, Irã e Gaza;  estão lhes negando a esses estados encurralados o menor respeito psicológico.  Recapacitem, amigos: lutemos, em primeiro lugar, pelo direito básico de seguir com vida, pois esse é o direito que corre perigo com a US Air Force.

Quando possamos dar por consolidado o direito de viver sem soçobra na nossa terra, então dedicar-nos-hemos ao restante.

De certa maneira, Jeeves tinha razão: temos de considerar o adversário em comum. O mesmo formulou Carl Schmitt, quem raciocinava dizendo: definir o enemigo é o ponto políticamente mais importante; e deveríamos escolher nosso enemigo com o mesmo cuidado com o qual escolhemos um amigo.  O tremendo poder do lobby judéu deve-se à sua capacidade para unir as pessoas contra seu enemigo, e em bloquear as tentativas de unificação que queiram competir com ele. Quando tentamos unir as pessoas contra os sionistas, os judéus põem a funcionar seu argumento letal, aquilo de “culpável por associação”, e elas  começam a pedir desculpas, dizendo “não podemos estar do seu lado”, porque viram você com algum membro da direita, ou com um ativista muçulmano, ou com um cristão fundamentalista, ou com um estalinista, ou com um negador do Holocausto, ou com um nacionalista, um racista, um terrorista, ou o que quer que seja.  Assim é como nossos esforços vão por água abaixo.

Suas táticas comprovam que estão se lixando para os direitos humanos ou a democracia. Demonizam igualmente Muammar Khadaffi e David Duke, Roger Garaudy e os comunistas russos, mas não vem nada de mais em guerreristas como Bernard Kouchner,Zbiegnew Brzezinski e Ariel Sharon.  Todos sabemos que Putin serviu à KGB, mas não nos permitem saber que a grande esperança liberal, a ministra de relações externas israelense Tzippi Livni, serviu ao serviço secreto.

Quando pretendem unir pessoas, não contra aquilo de “culpável por associação”. Eu posso perguntar a essa magnífica gente (não estou ironizando) como Mairead Maguire, ou Desmond Tutu, ou Harold Pinter, como é possível que não sintam um certo enjôo ao verem sua assinatura ao lado da do criminal de guerra, e fabricante de guerras, Zbigniew Brzezinski, ao lado da do sionista e negrófobo BHL, e à do súper-ladrão Vaclav Havel, quem privatizou a metade de Praga em seu próprio benefício pessoal. Provavelmente nem cheguem a comprender minha pergunta, porque há uma só autoridade a demonizar e a quem dar certificados de pensamento kôscher, e é este lobby.

Os judéus controlam a matriz da demonização; é por isso que não temem o mínimo serem demonizados, do mesmo jeito que o Néo manipulaba a sua própria Matrix. Por acaso o filme de Borat não era simplesmente racista? É o que você tinha achado, né?  Porém, bastaba que o tal de Cohen dissesse que ele era judéu, e todas as contestações se dissipariam.  Uma organização judia pôde escrever sem pestanejar: “Há suspeitas de que os cristãos de Sacramento, que são eslavos e militantes anti-gay, hospedem o assassino”.http://www.jewsonfirst.org . É isto uma frase racista? É o que parece, não é? Se não estiver seguro, faça este teste: procure escrever e publicar o seguinte: “Há suspeitas de que os judéus de Sacramento, que são militantes anti-gay, hospedem o assassino”. Já verá o que acontece.

Nas últimas eleições alemãs, Frau Merkel fez umas quantas colocações racistas, rejeitando apenas a sugestão de expulsar todos os turcos que vivem na Alemanha, mas prometendo que deteria as negociações pelo ingresso da Turquia à União Européia para que os turcos deixassem de ir pra Alemanha.  Lhe foi permitido dizer isto e ganhar, porque ela deu todo  seu apóio a Israel e aos Estados Unidos, de modo que o lobby a legitima como produto kôscher.  Assim é como a Alemanha, membro decisivo da coalição contra a guerra do Iraque em 2003, torna-se de súbito um participante potencial na guerra iminente contra o Irã.

Além do seu grupo de neocons de direita, o lobby conta também com seu projeto de esquerda.  Nos anos 80, os socialistas pro-israelenses se declaravam a si próprios comunistas de extrema-esquerda, e se opunham às regras da maioria em suas organizações. E, de fato, converteram-se na perna esquerda do imperialismo, ao descrever a hegemonia USiana como um capítulo do que se prevera globalmente segundo o marxismo.  Foram ativos na última década de existência da URSS, quando os sionistas tiveram éxito ao reunir muita gente boa e honrada, desde Jacques Derrida até a dirigência dos comunistas italianos; e os sionistas os fizeram cantar ao uníssono, deixando de lado o apóio natural da esquerda ao sistema dos soviets. A contribuição desta suposta extrema-esquerda ao fim do experimento socialista na Rússia, foi decisiva.  Quando deixaram de ser importantes à causa sionista, esses partidos comunistas brandos, o francês e o italiano, começaram a desmoronar.  No entanto, essa chamada esquerda não morreu.  A carta ao Times é um primeiro sinal de mudança nos ventos; pois os sionistas estão retomando a farsa esquerdista, usando o poder das ONGs e das dinâmicas locáis para fazer pressão onde lhes convenha.  Na França, até apresentam o Lévy, o “míster lobby”, como um símbolo do “retorno da esquerda” (assim, por exemplo, Lévy armou um grande show para se opor ao uso de testes genéticos para comprobar os laços de filiação das famílias africanas que queiram migrar para a França. N.da T.). Tendo essa esquerda, quê falta sentiremos da direita?

A idéia dos direitos humanos poderia ser boa se estes fossem universáis.  Mas as comparações dos direitos humanos geralmente se estancam no ponto que lhes convém.  Estão a favor dos direitos das minorias, direitos dos gays, direitos dos banqueiros, e direitos dos judéus, mas são contrários aos direitos da maioria, ao direito de viver e criar os filhos, manter a nossa família, e ao direito de ir à igreja ou à mesquita sem sermos incomodados.  Um dos personagens mais tenebrosos nos assuntos mundiáis é Bernard Kouchner, o novo ministro de assuntos estrangeiros francês. Sionista e ativista pelos direitos humanos: bombardéio da Sérbia; invasão da Somália e do Iraque, e do que vier pela frente. Exerceu o poder no Kosovo conquistado pela OTAN, e permitiu a seu cãozinho de estimação, as gangues albanesas, incendiarem igrejas e expulsar os sérbios.  Agora apóia os planos de Bush de atacar o Irã, e os planos de Israel de estrangular Gaza. Esse é o verdadeiro rosto do centinela dos direitos humanos.

Também não é problema para o tal socialista do Kouchner ficar sob o comando do Sarkozy. Sarkozy fez a sua campanha presidencial junto aos lemas de Le Pen. Roubou do Le Pen o seus slogans, suas idéias e seus votos, exceto num ponto capital: Le Pen estava em contra do império judaico-americano. É por isso que, enquanto o Le Pen era demonizado pelo Lobby, com Sarcozy acontecéu totalmente o oposto. Agora a França vai renegar à maior façanha de Charles De Gaulle, de ter libertado a França do jugo da OTAN. Sarkozy e Kouchner querem voltar a pôr as tropas francesas sob o comando USiano, e querem re-instalar as bases ianques na França, o que significa o retrocesso mais dramático da política exterior francesa, desde os tempos de Petain e Laval. O vínculo Sarkozy-Kouchner nos dá a resposta em relação  à grande mentira duma suposta dicotomia entre direita e esquerda: poderão se unificar no apóio a Israel e os Estados Unidos, e também podem se unir na rejeição aos mesmos.  Essa questão, do apóio ou a rejeição é, ou deberia ser, o sinal de “amigo ou enemigo” nos nossos radares.

Trata-se duma questão de vida ou morte: se temos um enemigo sionista em comum, estaremos em paz; se não tivermos um enemigo em comum, eles procurar-nos-ão outros enemigos:  A Rússia de Putin; o Irã de Ahmadinejad; o Hezbolá e o Hamas; Cuba e Venezuela; Zimbabwe e Birmánia, todos podem se converter, da noite para o dia, em supostos enemigos.  Até pouco tempo, os estados árabes estavam do lado do Irã e do Hamas na rejeição dos esquemas sionistas.  Agora, virando a mesa, os sionistas les ofereceram outra saida à sua animosidade: querem colocar os sunitas árabes em contra dos chiítas iranianos. E eles estão conseguindo isso!  Os estados árabes aceitaram sua idéia de que o Irã, assim como o governo islámico do Hamas,  são o inimigo.  É suficiente para centrifugar o sionismo como o maior enemigo dos árabes, e nos pôr em fila para a guerra que o lobby quer.

No mesmo sentido, a democracia é uma boa idéia.  Mas somente a democracia que provém da palavra “demos”, isto é, governo do povo, não a que se escora, sorrateiramente, na palavra “demo”, ou seja, demonstração, como nos programas informáticos, que tem sua “versão de demonstração”, a exemplo da piada do escritor russo Víctor Pelevin, quem esclarece ao leitor dos seus romances de ficção-científica: “quaisquer idéias que lhe venham à mente enquanto estiver lendo, estarão sometidas ao copyright. Qualquer pensamento não autorizado está proibido”. (n.d.t.).  Os que defendem a aparência democrática se congregam ao lado do Bush, estão listos para justificar qualquer agressão pela necessidade de estabelecer a democracia, mas, rejeitam o direito dos cubanos de elegerem Castro, o direito dos russos de elegerem Putin. O National Endowment for Democracy (NED: http://www.ned.org/press/releases.html), essa organização subversiva financiada pela CIA, é na verdade o maior inimigo da democracia, porque sua democracia não é mais do que um instrumento para nos submeter ao paradigma judaico-americano. E o que é pior, na Rússia como na Birmánia, em Cuba ou na Venezuela, os dirigentes se transformam em defensores da suposta democracia, e isto e uma conseqüência funesta.

Por isso, a distinção entre sionistas e não sionistas é a distinção mais importante, a grande divisão entre guerra e paz, vida ou morte.  Não ultrapassemos esse limite. Leiámos cuidadosamente os sináis de “amigo e inimigo”.  Não respaldemos as iniciativas do inimigo, ainda que pareçam derivar duma intenção maravilhosa.  Lembre sempre da prova que não falha, caro leitor: Qual é o propósito detrás de cada petição, de cada marcha, e até, duma carta aberta?  Se nós formos quem controla as iniciativas, podemos juntarnos em paz; se, supostamente, seguirmos a sua agenda, então teremos guerra.

A lista dos assinantes:

Mairead Maguire; Betty Williams; Jody Williams; Shirin Ebadi; Wangari Maathai; Rigoberta Menchú Tum; Arcebispo Desmond Tutu; Elena Bonner; Tatiana Yankelevich; President Vaclav Havel; Harold Pinter; The Hon Zbigniew Brzezinski; Vladimir Bukovsky; andré Glucksmann; Gloria Steinem; Serguei Kovalyov; Terry Waite; Cbe; Susan Sarandon; Alexei Simonov; gillian Slovo; Baroness Kennedy Of The Shaws; Bernard-Henri Lévy; Marek Edelman; Elisabeth Rehn; Mariane Pearl; Asma Jahangir; Sister Helem Prejean; Aiel Dorfman; Vanessa Redfrave; Michael Cunningham; Eve Ensler; John Sweeney; Jonathan Schell; Noam Chomsky; Marina Litvinenko; Lyudmila Alekseeva; Desmond O’Maley; Anne Nivat; Victor Fainberg; Lord Judd; Lord Rea; Lord Giddens; Lord Ahmed; Baroness Williams Of Crosby; Baroness Meacher;  Professor Yakin Eturk; elena Kudimova; Natasha Kandic; caroline McCormick; Sister Marya Grathwohl; Heidi Bradner; Meglena Kuneva; Elizabeth Kostova; Esther Chávez; John D. Panitza; Dubravka Ugresic; Katrina Vanden Heuvel; Víctor Navasky; Aidan White; Holly Near; Elizabeth Frank.

(1) Entrevista com Zbigniew Brzezinski, conselheiro para a segurança nacional do presidente Jimmy Carter, no Le Nouvel Observateur (France), janeiro 15-21, pg. 76.  Reconheceu que provocou intencionalmente a intervenção da URSS no Afeganistão, fanatizando e financiando a insurgência contra o governo legítimo de Kabul. Quando perguntado se se arrependia daquilo, respondeu: “me arrepender do quê? A operação secreta foi uma idéia excelente.  Teve por efeito que os russos caíssem numa armadilha na questão afegã, então, por quê devo me lamuriar”?  Pergunta: e também não se arrepende de ter apoiado o fundamentalismo islámico, lhes dando armas e assessoramento a futuros terroristas?  Resposta: “O que é mais importante para a História do mundo? Os talibãs ou o derrumbe do império soviético? Alguns muçulmanos nervosos ou a libertação da Europa Central e o fim da Guerra Fria?”

Tradução do original para o espanhol, Maria Poumier. Revisão, Horacio J. Garetto

Versão em português, traduzida do espanhol:  Darío Fernández.

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